quinta-feira, 10 de maio de 2018

Viação Theresopolina

Companhia União Theresopolina
1854 - 

Resumo Histórico

No dia 25 de Outubro de 1854, através do Decreto nº 1.464 publicado no Diário Oficial da União, são   aprovados  os Estatutos da Companhia denominada "União Theresopolina".

Estatutos da Companhia


No dia primeiro de setembro de 1855, a Viação Theresopolina  inaugura o serviço de diligências entre o Porto de Piedade e a Barreira do Soberbo, pela estrada da Companhia Magé a Sapucaia, com os seguintes preços de passagens:

Piedade a Mgé Rs. 2$000
Piedade ao Jacú Rs. 3$000
Piedade ao Freixal         Rs. 4$000
Piedade à Barreira         Rs. 5$000

A Barreira do Soberbo, ou seja, o pedágio da Estrada Magé-Sapucaia, localizava-se na altura do rio Soberbo, onde terminava o trecho carroçável da Estrada. O trecho até Teresópolis era feito em mulas ou liteiras.

A Viação Theresopolina foi organizada pela firma Dias Coelho & Ramos. As diligências partiam do porto de Piedade todos  os dias que aportavam vapores provenientes da Côrte. Em 1857 as diligências partiam da Piedade 15 minutos após a chegada da barca, nas terças, quintas e sábados, e da Barreira do Soberbo às 10 horas da manhã,  nas segundas, quartas e sextas-feiras. 

Em 1858 a empresa , já sob o controle da firma Oliveira & Ramos, com frota de 6 carros de carga, realizava o transporte de café entre seu armazém no Soberbo e Magé.


Correio Mercantil, 21 de setembro de 1859


REFERÊNCIAS:

"Decreto nº 1464 de 25/10/1854". Diário Official do Império do Brasil. 1854, dezembro, 31.  


Marcelo Almirante
Página lançada no dia 10 de maio de 2018










Viação Theresopolina


ESTATUTOS DA COMPANHIA UNIÃO THERESOPOLINA

Decreto  Nº 1.464 - de 25 de Outubro de 1854, approva os Estatutos da Companhia denominada - União Theresopolina.

"Attendendo ao que Me representou a Directoria da Companhia denominada - União Theresopolina -; e conformando-Me com o parecer da Secção do Conselho d'Estado dos Negocios do Imperio exarado em Consulta de 23 de Agosto: Hei por bem Approvar os Estatutos da referida Companhia que com este baixão assignados por Luiz Pedreira do Coutto Ferraz, do Meu Conselho, Ministro e Secretario d'Estado dos Negocios do Imperio, que assim o tenha entendido e faça executar. Palacio do Rio de Janeiro em vinte cinco de Outubro de mil oitocentos cincoenta e quatro, trigesimo terceiro da Independencia e do Imperio.

Com a Rubrica de Sua Magestade o Imperador.

Luiz Pedreira do Coutto Ferraz.

Estatutos da Companhia - União Theresopolina -, a que se refere o Decreto desta data

TITULO I

Do objecto e duração da Companhia

Art. 1º A Associação anonima, instituida sob a denominação de Companhia - União Theresopolina -, installada nesta Côrte, tem por objecto a industria de transportes de passageiros e mercadorias, feitos diariamente entre a Cidade do Rio de Janeiro e o Porto da Piedade por meio de barcos de vapor, faluas, &c., e em continuação daquelle porto até a raiz da serra dos Orgãos por meio de carros de quatro rodas, tirados por animaes; e vice versa.

Art. 2º Estando os interesses da Companhia ligados aos dos lavradores, se formará na raiz da serra dos Orgãos, em lugar apropriado para a estação de seus vehiculos, hum estabelecimento mercantil abastecido de generos do principal consumo e de difficil deterioração, como sal, algodão e ferro.

Art. 3º A Companhia durará por vinte annos contados desta data, salvo os casos de dissolução previstos abaixo.

Este periodo poderá ser prorogado pelo tempo que convier aos Accionistas, por deliberação tomada em Assembléa Geral para isso expressa e extraordinariamente convocada dous annos antes da expiração daquelle prazo, e com approvação do Governo Imperial.

TITULO II

Do Capital

Art. 4º O capital da Companhia he fixado em quatrocentos contos de réis, divididos em duas mil acções de duzentos mil réis cada huma, as quaes serão assignadas pelo Presidente e Secretario da Directoria.

Este capital poderá ser augmentado, se no futuro convier, por deliberação tomada em Assembléa Geral.

Art. 5º As prestações serão feitas, sempre que a Directoria julgar conveniente, na razão, cada huma, de dez por cento sobre o capital.

O intervallo de huma prestação á outra nunca será menor de dous mezes, e o prazo para sua realisação será de trinta dias peremptorios, contados dos annuncios nas folhas de maior circulação.

Exceptua-se a primeira prestação, que será realisada dentro de dez dias contados da mesma fórma.

Art. 6º Os Accionistas, que não realisarem a primeira prestação, e os que faltarem ao pagamento das subsequentes nos prazos referidos, perderão o direito ás suas acções, revertendo estas no primeiro caso, e no segundo caso os valores realisados, em beneficio da Companhia, que disporá das acções como convier.

Exceptua-se o caso de força maior provado dentro de trinta dias, contados daquelle em que se devia realisar a prestação, perante a Directoria, que resolverá como entender de justiça e equidade.

Art. 7º Os Accionistas respondem somente até o valor de suas acções na fórma do Art. 298 do Codigo Commercial, e podem doar, hypothecar e alienar as referidas acções, guardando no primeiro e ultimo caso o disposto no Artigo seguinte.

Art. 8º A transmissão das acções se opera por via de transferencia lavrada por termo no livro respectivo, á vista das acções, e presentes os contrahentes, que deverão assignar juntamente com o Director que servir de Secretario da Directoria.

TITULO III

Da Directoria

Art. 9º A Companhia he administrada por huma Directoria de tres Membros nomeados na fórma do Art. 28.

Para fazer parte da Directoria he mister ser Accionista pelo menos de trinta acções, as quaes serão inalienaveis durante o tempo de suas funcções.

Art. 10. Os Membros da Directoria, cujo impedimento exceder a hum mez, serão substituidos na fórma do Art. 12 por Supplentes nomeados na fórma do Art. 34.

Para ser Supplente he mister ser Accionista pelo menos de vinte acções, que serão inalienaveis em quanto durar o seu cargo.

Art. 11. A Directoria se renovará annualmente na proporção de hum terço, designando a sorte nos primeiros annos o Membro que tem de sahir.

A nomeação dos Supplentes he annua. Os mesmos Membros podem ser reeleitos.

Art. 12. A Directoria he solidaria; seus Membros escolherão d'entre si o Presidente, Secretario e Thesoureiro.

O Secretario substituirá o Presidente; o Thesoureiro e Secretario serão substituidos pelos Supplentes que o Presidente designar; e esgotada a lista destes, pelos Accionistas que ao Presidente merecerem mais confiança, mas que sempre deverão possuir pelo menos vinte acções, até a reunião da Assembléa Geral, que deliberará o que convier.

Art. 13. Compete á Directoria:

§ 1º Organisar o Regimento interno, marcar os preços dos transportes, augmental-os ou diminuil-os segundo o interesse da Companhia, taxar os vencimentos dos empregados, bem como as fianças que deverão prestar.

§ 2º Nomear e demittir livremente o Gerente da Companhia, e tomar-lhe contas mensalmente.

§ 3º Fazer registrar no Tribunal do Commercio os presentes Estatutos.

§ 4º Convocar a Assembléa Geral nos casos e na fórma dos Artigos 23 e 27.

§ 5º Promover em geral tudo quanto entender a bem dos interesses da Companhia.

Art. 14. A Directoria se reunirá pelo menos huma vez todos os mezes para deliberar o que convier.

Art. 15. As ordens, correspondencias e resoluções serão assignadas pelo Presidente e Secretario, e registradas em livro proprio.

Art. 16. A Directoria he obrigada a publicar nos primeiros dez dias de cada mez hum balancete da receita e despeza do mez anterior com a devida clareza.

Nas reuniões ordinarias da Assembléa Geral, que terão lugar annualmente, a Directoria apresentará hum balanço geral do activo e passivo da Companhia, e hum relatorio circunstanciado dos factos occorridos na sua marcha durante o anno precedente.

Art. 17. Em remuneração do trabalho e responsabilidade inherente aos Directores, a Directoria perceberá huma Commissão de cinco por cento dos lucros liquidos, que serão distribuidos pelos seus Membros e pelos Supplentes, na proporção do tempo que tiverem servido.

TITULO IV

Do Gerente

Art. 18. O Gerente he nomeado e demittido livremente pela Directoria, que apresentará á Assembléa Geral as razões que houverem motivado a demissão.

Para ser Gerente he necessario ou possuir cincoenta acções inalienaveis durante o exercicio de suas funcções, ou prestar fiança idonea de dez contos de réis.

Art. 19. Ao Gerente compete:

§ 1º Nomear e demittir livremente os empregados sob sua direcção, de cujos actos he responsavel.

§ 2º Administrar o estabelecimento commercial da raiz da serra dos Orgãos e do porto da Piedade, as estações intermedias, e todo o mais serviço de transportes de mar e de terra, com todas as suas dependencias.

Para esta administração a Companhia lhe concede os poderes necessarios em direito, salvas as limitações consignadas nestes Estatutos.

Art. 20. O Gerente he obrigado ao seguinte:

§ 1º Executar as deliberações e ordens da Directoria, prestando todos os serviços que ella exigir com relação ao objecto da Companhia.

§ 2º Prestar á Directoria hum balancete mensal pelo modelo que ella organisar, entregando ao Thesoureiro os saldos do mez antecedente.

§ 3º Residir nos lugares das estações que lhe forem designados, sob sua responsabilidade.

Art. 21. O Gerente, quando assignar a correspondencia ou quaesquer actos relativos á sua gerencia, deverá declarar que o faz como Gerente da Companhia.

Nos casos porêm de letras ou titulos de credito deverá consultar precizamente a Directoria.

Todo o acto, assignado pelo Gerente sem a declaração supra, não acarreta a responsabilidade da Companhia para com terceiros.

O Gerente não deve empregar-se em ramo algum de negocio, nem distrahir sua acção para objectos alheios á Companhia.

Art. 22. Os vencimentos do Gerente consistirão em huma porcentagem nunca menor de cinco por cento sobre os lucros liquidos em cada anno.

No caso de ser insufficiente aquella porcentagem em relação aos trabalhos do Gerente, poderá este perceber huma gratificação, cuja apreciação e iniciativa competirá á Commissão de contas, com approvação da Assembléa Geral.

TITULO V

Da Assembléa Geral

Art. 23. A reunião dos Accionistas, convocados por tres annuncios consecutivos de ordem da Directoria nas folhas de maior circulação, constitue a Assembléa Geral.

Art. 24. Para que possa constituir-se a Assembléa Geral, requer-se que estejão presentes tantos Accionistas, quantos representem hum terço do capital effectivo da Companhia em relação aos Accionistas que tem voto; e para te-lo he precizo possuir cinco acções. Os Accionistas, que não tiverem este numero, poderão discutir, mais não votar, excepto se tiverem procuração de outro ou outros, cujas acções reunidas completem o numero prescripto.

Art. 25. Se no dia designado não houver numero para constituir Assembléa Geral, se fará nova convocação della, observada a disposição do Art. 23; e nesta reunião, que terá lugar dentro de dez a quinze dias da data dos annuncios, se deliberará com os votos presentes, qualquer que seja o seu numero.

Art. 26. As deliberações, que se houver de tomar ácerca do disposto nos Arts. 3º e 4º, só serão validas votando Accionistas que representem a maioria absoluta do capital da Companhia.

Art. 27. A Assembléa Geral se reune ordinariamente nos primeiros quinze dias do mez de Julho de cada anno, e quando a Commissão de contas houver concluido o seu trabalho.

Fóra destes casos a Assembléa Geral se reunirá extraordinariamente quando a Directoria julgar conveniente convoca-la, ou quando essa convocação lhe for pedida por Accionistas que representem o terço do capital effectivo; neste ultimo caso se oito dias depois do pedido a Directoria não houver feito a convocação, ella poderá ser feita por aquelles Accionistas, que deverão assignar-se declarando o numero de acções de cada hum.

Nestas reuniões extraordinarias se tratará unicamente do objecto que deo lugar á convocação; todavia se receberá qualquer indicação, que será reservada para ser tomada em consideração nas Sessões ordinarias.

Art. 28. A Assembléa Geral elegerá annualmente por escrutinio secreto, e á maioria relativa de votos hum Presidente, 1º e 2º Secretario, os quaes substituirão aquelle nos seus impedimentos, na ordem indicada. Esta votação será feita em huma só lista.

Não poderá fazer parte da Mesa nenhum dos Accionistas que for Director, Supplente ou Gerente.

Art. 29. Ao Presidente compete:

§ 1º Abrir e fechar a Sessão.

§ 2º Manter a boa ordem e regularidade das discussões. Nunca consentirá que hum Accionista falle mais de duas vezes sobre o mesmo assumpto, nem ainda para explicar.

Exceptuão-se os Membros da Directoria, e os das Commissões encarregadas de qualquer trabalho, que poderão responder ás questões que lhes forem dirigidas.

Art. 30. Pertence aos Secretarios fazer a chamada e verificar o numero dos Accionistas presentes em Assembléa Geral; contar os votos de cada hum na proporção de suas acções; fazer a apuração das votações, redigir as actas; ler o expediente, e o mais que o Presidente ordenar; e escrever a correspondencia, que será assignada pelo Presidente e 1º Secretario.

Art. 31. Nas votações por escrutinio secreto hum dos Secretarios procederá á chamada pela lista dos Accionistas, dos quaes receberá as cedulas, contendo no verso o numero de votos correspondente ás acções que possuirem e representarem, e fazendo logo a devida conferencia, as lançará na urna.

Art. 32. Na primeira reunião da Assembléa Geral, depois de lido o relatorio da Directoria, se procederá á eleição de huma Commissão de tres Membros na fórma do Art. 28, para exame do balanço e operações.

A esta Commissão serão franqueados todos os livros, documentos e esclarecimentos que ella exigir.

Art. 33. Nas Sessões, em que for lido o parecer ou relatorio da Commissão de exame, poderão os Accionistas exigir os esclarecimentos que lhes parecer na fórma do Art. 290 do Codigo Commercial.

Art. 34. Na Sessão, em que for apresentado o parecer da Commissão, terá lugar a eleição da Directoria na proporção de hum terço, e em seguida a de tres Supplentes, tudo na fórma prescripta no Art. 28.

Art. 35. Os votos dos Accionistas em Assembléa Geral serão contados do modo seguinte:


De 5 até 10 acções 1 voto 
De 11 a 20 « 2 
De 21 a 30 « 3 

e assim por diante até dez votos, que he o maximo, qualquer que seja o numero das acções que representem.

Esta regra se observará tomando englobadamente as acções do Accionista impedido com as do que o representar em virtude de procuração bastante.

TITULO VI

Dos dividendos, fundos de reserva, e reserva para o depreciamento do material

Art. 36. Nos mezes de Junho e Dezembro de cada anno a Directoria, verificado por balanço o estado da Companhia, deliberará se ha lugar a distribuição de dividendos pelos Accionistas, e conseguintemente fixará a sua importancia.

Art. 37. Formarão dividendo os fundos liquidos realisados durante o semestre, deduzidas as Commissões á Directoria e Gerente, fundo de reserva, e reserva para o depreciamento do material.

Art. 38. Formarão fundo de reserva dez por cento dos lucros liquidos em cada semestre, e bem assim os beneficios que resultarem á Companhia nos casos previstos no Art. 6º.

O fundo de reserva será collocado a render em hum Banco desta Cidade, e seus juros reverterão para augmento dos dividendos nos semestres respectivos.

Art. 39. Para fazer face ao depreciamento do material, se reservarão todos os annos dous por cento sobre o capital effectivo da Companhia, os quaes serão sempre constantes e collocados a render em hum Banco desta Cidade.

Os juros que produzir serão accumulados sem distracção para augmento dos dividendos.

Art. 40. Quando o fundo de reserva se elevar a hum terço do capital effectivo, poderá a reserva semestral ser reduzida a seis ou cinco por cento dos lucros liquidos, revertendo o excesso para augmento dos dividendos.

TITULO VII

Da dissolução e liquidação

Art. 41. A dissolução da Companhia terá lugar nos casos marcados no Artigo 295 do Codigo Commercial.

Art. 42. Se a dissolução tiver lugar antes de expirado o prazo de vinte annos marcado para a duração da Companhia, a Directoria convocará a Assembléa Geral.

Art. 43. A Assembléa Geral nomeará huma Commissão de tres Membros, pela fórma prescripta no Artigo 28, d'entre os Accionistas de trinta acções para cima, afim de proceder á liquidação da Companhia, com poderes para transigir sobre todas as contestações e demandas.

Art. 44. No fim de hum anno, ao mais tardar, a Commissão prestará suas contas á Assembléa Geral, apresentando hum inventario exacto da Companhia.

TITULO VIII

Disposições geraes

Art. 45. Alêm das duas mil acções que constituem o fundo da Companhia, se emittirão desde já mais cem acções, que pertencerão a Luiz Moretz Sohn, em remuneração de seus trabalhos e coadjuvação na realisação da idéa que fórma o objecto da empreza.

Ao possuidor das referidas cem acções ficão extensivos todos os direitos que os presentes Estatutos concedem aos demais Accionistas.

Art. 46. A Directoria fica autorisada a solicitar da Presidencia da Provincia do Rio de Janeiro hum privilegio para a sua linha de tansportes pelo tempo que for conveniente.

Art. 47. A Directoria arrendará os predios que forem necessarios para estações dos carros, estabelecimento commercial, depositos de generos, e tudo mais concernente ao objecto da Companhia, expedindo as convenientes ordens e instrucções para a economia e bom desempenho de todos os ramos de serviço.

Nos casos porêm de compra e edificação solicitará autorisação da Assembléa Geral, salvo havendo urgente necessidade, do que prestará conta na primeira reunião da Assembléa Geral.

Art. 48. No estabelecimento commercial não he permittido vender a credito com maior prazo do que o de tres mezes.

Art. 49. O maximo das despezas com comedorias do Gerente e mais empregados da Companhia será marcado em Regulamento especial da Directoria.

Art. 50. A Directoria fica autorisada a demandar e ser demandada, e a exercer livre e geral administração para o que lhe são conferidos plenos poderes, sem reserva alguma, inclusive os de procurador em causa propria.

Art. 51. Nos casos omissos nestes Estatutos se regulará a Companhia pelos que regem as Companhias de igual natureza legalmente estabelecidas, e pelos estylos por ellas seguidos, dando de tudo circunstanciada conta á Assembléa Geral em sua primeira reunião.

Art. 52. As contestações, que se suscitarem na marcha da administração, serão terminadas por meio de arbitros sempre que o possão ser.

Palacio do Rio de Janeiro em 25 de Outubro de 1854.

Luiz Pedreira do Coutto Ferraz.


REFERÊNCIA:

"Decreto nº 1464 de 25/10/1854". Diário Official do Império do Brasil. 1854, dezembro, 31.  


Marcelo Almirante
Página lançada em 10 de maio de 2018















Magé a Sapucaia

Companhia da Estrada Magé a Sapucaia
1836 - 1879


Resumo Histórico

O crescimento da produção cafeeira no norte da Província do Rio de Janeiro, a partir da década de 1830,  tornou viável a implantação de uma estrada carroçável, com pedágios, entre a Côrte e a localidade de Sapucaia.

Em 1836, pela Lei nº 36 de 6 de maio, o Governo Provincial é autorizado a contratar Francisco Leite Ribeiro para abertura de uma estrada entre Magé e o Rio Parahyba, nas proximidades do local denominado “Mar de Hespanha”, para o tráfego de carros e seges, devendo ser construída em até 8 anos após a assinatura do contrato, lavrado no dia 20 de junho de 1836.

Em 1841, é concluída a construção da primeira ponte de madeira sobre o Rio Parahyba do Sul, entre  Sapucaia e Mar de Hespanha.

Em 1846 é aberta a barreira (pedágio) do Soberbo. Pelo contrato a companhia só poderia abrir dois pedágios, um na serra do Couto e outro onde bem entendesse.

Entre 1854 e 1857 pela localidade de Sapucaia, foram exportadas 7,3 toneladas de café, chegando a utilizar 28.573 muares para o seu transporte através da Estrada Magé a Sapucaia. 

Entre 1854 e 1857, com recursos da Companhia, é construída a ponte pênsil sobre o Rio Parahyba do Sul, depois de duas pontes de madeira terem sido destruídas pelas cheias do rio. 

Ponte pênsil de Sapucaia em 1922

No dia 6 de setembro de 1854, os acionistas da Companhia da Estrada de Magé a Sapucaia, decidem aumentar o capital da empresa para implantar uma linha de navegação a vapor entre a corte e a Villa de Magé, e uma ferrovia de tração animal , ou outro meio de transporte econômico, entre Magé e a raiz da serra de Therezópolis.

No dia primeiro de setembro de 1855, a Viação União Theresopolina  inaugura o serviço de diligências entre o Porto de Piedade e a Barreira do Soberbo, pela estrada da Companhia Magé a Sapucaia, com os seguintes preços de passagens:

Piedade a Mgé Rs. 2$000
Piedade ao Jacú Rs. 3$000
Piedade ao Freixal         Rs. 4$000
Piedade à Barreira         Rs. 5$000

A Viação Theresopolina foi organizada pela firma Dias Coelho & Ramos. As diligências partiam do porto de Piedade todos  os dias que aportavam vapores provenientes da Côrte. 

Em 1857 as diligências partiam da Piedade 15 minutos após a chegada da barca, nas terças, quintas e sábados, e da Barreira do Soberbo às 10 horas da manhã,  nas segundas, quartas e sextas-feiras. 

Em 1858, com fundos do pedágio, a companhia já havia aberto 35 léguas de estradas em serras e matas virgens, além de diversas pontes, entre as quais a ponte pênsil da Sapucaia sobre o Rio Parahyba do Sul.

Em 1858 a Viação Theresopolina, já sob o controle da firma Oliveira & Ramos, com frota de 6 carros de carga, realizava o transporte de café entre seu armazém no Soberbo e Magé.

No dia 20 de janeiro de 1871, é inaugurada a estação de Sapucaia, do Ramal de Porto Novo, da Estrada de Ferro Dom Pedro II, transferindo os fretes da produção cafeeira para a ferrovia, inviabilizando a existência da Companhia da Estrada Magé a Sapucaia.

No dia 18 de junho de 1879, em função do estado de abandono da Estrada Magé a Sapucaia, o Governo da Província rescinde o contrato e encampa a Companhia da Estrada Magé a Sapucaia.

Em função de falta de manutenção, a ponte pênsil ruiu no dia 10 de agosto de 1964.


REFERÊNCIAS:

Novo e Completo Índice Chronologico da Historia do Brasil (RJ). 1842 a 1889. 

“Parte Official, Provincia do Rio de Janeiro, Lei nº 389”. Diário do Rio de Janeiro. 1846, julho, 4. Página 1.

“Viação Theresopolina”. Almanak Administrativo. Mercantil e Industrial da Corte e Provincia do Rio de Janeiro para o anno de 1856.


Marcelo Almirante
Página lançada em 10 de maio de 2018










terça-feira, 1 de maio de 2018

Motta

Viação Motta
Desde 1967


Revista Sua Boa Estrela Nº 60,  1977



Marcelo Almirante
Página lançada em 1º de maio de 2018










segunda-feira, 16 de abril de 2018

Cometa

Viação Cometa
Desde 1947

Resumo Histórico

No dia 8 de dezembro de 1951, a Viação Cometa S.A. inicia suas operações na linha Rio de Janeiro – São Paulo, com saídas simultâneas das duas capitais às 6h20, 7h20 e 12h20, com ponto final em São Paulo na Avenida Ipiranga, 1051, esquina com a Avenida Campos Elíseos, e no Rio de Janeiro, na Praça Mauá, antes mesmo da inauguração da Rodoviária Mariano Procópio.

Em 1954, início da operação dos modernos ônibus GM Coach PD 4104, importados dos Estados Unidos pela empresa Cometa, para operação na linha Rio de Janeiro - São Paulo. Eram 30 veículos, que logo foram apelidados de Mourubixabas - "Cacique da Tribo". Entre as principais inovações do veículo, destacam-se:

Design externo inovador
Ar-condicionado
Sistema de suspensão a ar comprimido
Vidros Ray-ban
Rádio Transmissor
Saída de emergência
Motor Transversal de 2 tempos (211 hp)


O PD 4104 foi lançado em 1953 pela GMC Tuck and Coach Division (Michigan), sendo a empresa americana Greyhound a primeira a adquiri-lo. O design serviu de inspiração para futuros modelos de ônibus no país, como o Dinossauros da Ciferal e o Flecha Azul da CMA, ambos operados posteriormente pela Cometa. Circulou na empresa até 1973.


Marcelo Almirante
Página lançada em 16 de abril de 2018






domingo, 1 de abril de 2018

Rodovia dos Tamoios: acesso seguro e ágil ao litoral norte de SP

31/03/2018 - Portal do Governo 

Duplicação do trecho de Serra impulsiona o desenvolvimento econômico e do turismo da região e do Vale do Paraíba

Com 21,6 quilômetros de novas pistas, a duplicação do trecho de Serra da Rodovia dos Tamoios representa a modernização do corredor logístico para o turismo e economia das regiões do Vale do Paraíba e litoral norte do Estado. Trata-se de um desafio em termos de execução de obras, pois 15,45 quilômetros do trecho são viabilizados por meio de túneis e viadutos, protegendo a flora e fauna da região.

O trecho de Planalto foi entregue duplicado pelo governador Geraldo Alckmin em 2014, ampliando em 98% a capacidade das pistas. O projeto já levou à redução do tempo gasto pelos motoristas para percorrer os 49 quilômetros de extensão entre São José dos Campos e Paraibuna.

Com um traçado moderno, a nova pista será utilizada para atender o tráfego de subida da Serra, sentido São José dos Campos, e contará com duas faixas de rolamento e acostamento, permitindo que o tempo de viagem seja reduzido significativamente. A previsão é de que trafeguem no novo trecho, por dia, cerca de 35 mil veículos.

A pista atual do trecho de Serra será utilizada somente para descida, sentido Litoral, e passa por diversas obras realizadas pela Concessionária Tamoios, muitas delas já concluídas, como ampliação de curvas, iluminação, melhorias do pavimento e sinalização.

Projeto

As obras têm previsão de conclusão para dezembro de 2020, com a geração de 2.238 empregos diretos, incluindo a administração da rodovia. São 22 frentes de trabalho, representando um avanço de 32,28% do total da duplicação.

A duplicação tem 85% da sua área no Parque Estadual da Serra do Mar, o que é um desafio ambiental e de engenharia. Por isso, o projeto é composto por túneis e viadutos, representando cerca de 72% do total da obra, preservando ao máximo a mata e a diversidade ecológica da região.

As intervenções dos Contornos (Norte e Sul), com 33,9 quilômetros e passando pelas cidades de Caraguatatuba e São Sebastião, estão atualmente em construção sob responsabilidade da DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S/A. Quando o trecho estiver concluído, passarão a ser administrados pela Concessionária Tamoios.

Preservação

De acordo com o gerente de Meio Ambiente e Segurança do Trabalho da DERSA, Marcelo Arreguy Barbosa, os desafios da duplicação da Rodovia dos Tamoios já começaram no processo de licenciamento ambiental e concepção do projeto, uma vez que o empreendimento afeta comunidades, Unidades de Conservação, áreas com vegetação da Mata Atlântica e rica em animais silvestres.

“Compatibilizar uma obra desse porte com as questões ambientais envolve, inicialmente, a adoção de uma série de medidas preventivas e de controle no projeto de engenharia, tais como estudos de alternativas de traçado, otimização do balanço de materiais e minimização de cortes e aterros, sistema de contenção de produtos perigosos, passagens de fauna, barreiras de ruído, entre outros”, destaca o gerente de Meio Ambiente e Segurança do Trabalho da DERSA.

Executar uma obra da dimensão da Tamoios com o menor impacto ambiental possível, em especial nas áreas de preservação da região, exige a implementação rigorosa dos Programas Ambientais, que buscam controlar e amenizar os impactos. “De maneira geral, o projeto exigiu, principalmente, o controle de processos erosivos e de assoreamento de corpos hídricos, controle da supressão de vegetação, resgate de fauna, flora e arqueológico, controle da poluição, organização e limpeza em canteiros de obra”, explica Marcelo Arreguy Barbosa.

Uma das medidas compensatórias implementadas pela empresa é o depósito de 0,5% do valor do empreendimento a ser destinado a Unidades de Conservação, bem como a restauração florestal em áreas de preservação dos mananciais, por meio do plantio de mudas nativas.

Contornos

A Nova Tamoios Contornos tem a visão de atender as necessidades locais da área, colaborando com o fluxo dos usuários, desviando da área urbana o tráfego de passagem, sobretudo de caminhões, e o trânsito de veículos pesados que seguem para o Porto de São Sebastião.

“Com a Nova Tamoios Contornos, o trânsito rodoviário será deslocado para uma via perimetral, reduzindo o tempo de percurso para 20 minutos. Com mais de 33 quilômetros de extensão, a nova estrada facilitará muito a vida de quem mora ou acessa o litoral norte”, afirma secretário de Estado de Logística e Transportes e presidente da DERSA, Laurence Casagrande Lourenço.

“Além de aumentar a mobilidade na região e o acesso dos turistas, os contornos possibilitarão a chegada mais rápida e segura ao Porto, que terá sua capacidade de movimentação de cargas ampliada, melhorando o escoamento de mercadorias produzidas no Vale do Paraíba e no polo de Campinas, duas das áreas mais desenvolvidas do Brasil”, ressalta o gerente da Divisão de Obras da DERSA, Pedro Paulo Campos.

Atualmente, o empreendimento apresenta 83,95% de avanço. “Os maiores desafios para execução das obras no trecho Contornos são as grandes extensões de túneis construídos, o grande volume de solo mole na região, sendo necessária a execução de diversos aterros estaqueados e a execução de ações próximas a bairros populosos, com topografia desfavorável” acrescenta o gerente da Divisão de Obras da Dersa.

Modelo

Secretários e gestores de outros Estados brasileiros já realizaram visitas à Rodovia dos Tamoios, cuja concessão foi realizada através de Parceria Público-Privada, para conhecer o modelo. Ao promover o evento, o Governo do Estado abriu as portas para dialogar com essas esferas da administração pública que manifestaram interesse em saber mais sobre as com a iniciativa privada.

“Estamos contentes de sermos considerados modelo nos quesitos de segurança administrativa e eficiência operacional. Nossas equipes trabalham com dedicação e foco no usuário”, comenta o presidente da Concessionária Tamoios, Marcelo Stachow.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Obras de duplicação do trecho de Serra da Rodovia dos Tamoios estão previstas para terminarem em 2020

13/03/2018 - Agora Vale

São 22 frentes de obras, compreendendo 21,6 km de novas pistas onde cerca de 15,45 km serão viabilizados por túneis e viadutos

A duplicação do trecho de Serra da Rodovia dos Tamoios representa a modernização do corredor logístico estratégico para o turismo e economia das regiões do Vale do Paraíba e Litoral Norte. A duplicação do trecho de Serra compreende 21,6 quilômetros de novas pistas – entre o km 60,4 e o km 82 –, dos quais cerca de 15,45 quilômetros estão sendo viabilizados por meio de túneis e viadutos, protegendo a floresta existente.

A duplicação tem 85% da sua área no Parque Estadual da Serra do Mar, o que é um desafio ambiental e de engenharia. Diante disso, o projeto é composto por túneis e viadutos, representando cerca de 72% do total da obra, preservando ao máximo a mata e a diversidade ecológica da região.  Um dos trechos será desenvolvido com o “Cable Crane”, um modelo de construção que usa um teleférico de carga conduzido por cabos, realizando o transporte de materiais e de pessoas, evitando a abertura de novos acessos dentro da mata. É a primeira vez no Brasil que essa metodologia está sendo empregada e o projeto recebeu o prêmio Eco de Sustentabilidade da Câmara de Comércio Americana e Jornal O Estado de SP.

Com um traçado moderno, a nova pista será utilizada para atender o tráfego de subida da Serra, sentido São José dos Campos, e contará com duas faixas de rolamento e acostamento, permitindo que o tempo de viagem seja reduzido significativamente. A previsão é de que trafeguem por dia no novo trecho cerca de 35 mil veículos. A pista atual do trecho de Serra será utilizada somente para descida, sentido Litoral, e passa por diversas obras realizadas pela Concessionária Tamoios, muitas delas já concluídas, como ampliação de curvas, iluminação, melhorias do pavimento e sinalização.

Com início em 2015, as obras têm previsão de conclusão para dezembro de 2020, e atualmente geram 2.238 empregos diretos, incluindo a administração da rodovia. São 22 frentes de trabalho, representando um avanço de 32,28% do total da duplicação. Para os próximos meses, serão entregues quatro quilômetros de duplicação, entre o km 60,4 e o km 64,4, incluindo a Ponte de Paraibuna.

Inaugurada pelo Governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, em agosto de 2017, as obras de construção do Túnel 1 (km 65) da nova pista está com progresso de 18,75% e, quando concluído, terá 2.850 metros de extensão.

O Túnel 5, atualmente com 2.021 metros de extensão e 55% de avanço, que também foi inaugurado por Geraldo Alckmin em abril de 2016, conta com duas frentes de trabalho: uma em Caraguatatuba e outra em Paraibuna, no km 78 da Tamoios. Esse túnel terá 3.696 metros de extensão.

As obras dos Contornos (Norte e Sul), com 33,9 quilômetros e passando pelas cidades de Caraguatatuba e São Sebastião, estão atualmente em construção sob responsabilidade da DERSA -  Desenvolvimento Rodoviário S/A. Quando o trecho estiver concluído, passarão a ser administrados pela Concessionária Tamoios.