sexta-feira, 14 de maio de 2010

Obra milionária sai do papel


14/5/2010
Estado de Minas (MG)

A tão sonhada licitação para a revitalização do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, orçada em R$ 837,5 milhões, será aberta quinta-feira que vem, na sede do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em Brasília. Na ocasião, empresas e consórcios interessados em abocanhar a volumosa quantia, financiada pela segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vão apresentar suas propostas. O megaempreendimento, previsto para começar em 2010 e ser concluído no fim de 2013, será o maior canteiro de obras na capital para a Copa do Mundo de 2014. O projeto de engenharia que mudará o visual do corredor mais movimentado da cidade, por onde passam cerca de 100 mil veículos por dia, foi elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O estudo prevê intervenções em 17 trechos, onde serão erguidos cinco viadutos, 10 trincheiras e oito passarelas ao longo dos 26,2 quilômetros que ligam a BR-381 à BR-040. A obra será dividida em dois lotes - o primeiro vai do Bairro Califórnia, na Região Noroeste, até a saída para a BR-381, e vai receber injeção de R$ 281,6 milhões; já o segundo trecho é considerado o filé desejado pelas construtoras, pois é avaliado em R$ 558,5 milhões. O recurso será aplicado entre o Shopping Del Rey e a saída para o Rio de Janeiro.

As melhorias prometem pôr fim à matança no Anel, uma das vias mais perigosas da capital. Para ter ideia, 95 pessoas morreram no local nos últimos três anos. Em 2007, ocorreram 29 mortes. Em 2008, mais 28. Em 2009, outras 32. Em 2010, foram seis óbitos até o fim de abril. "Vejo acidentes no Anel, praticamente, todos os dias. Pela manhã, uma garota de 13 anos foi atropelada a 100 metros daqui", conta, angustiado, Manoel Veríssimo de Almeida, de 68 anos. Ele vende garapa num terreno ao lado do Viaduto São Francisco, no bairro homônimo da Região Nordeste. O comerciante alerta que a ponte, construída sobre a Avenida Antônio Carlos, é uma das armadilhas mais perigosas do corredor: o estrangulamento de pista, de três para duas faixas, causa vários acidentes.
   
Mas a via coleciona dezenas de outros perigos, como a ausência da área de escape em boa parte do trecho. Ontem, motoristas que seguiam em direção ao Rio de Janeiro enfrentaram uma grande retenção na altura do Bairro Caiçara causada por uma Kombi que estragou perto do Shopping Del Rey e interditou uma das faixas. A Polícia Militar Rodoviária (PMRv), responsável por fiscalizar o Anel, chegou rápido ao local e teve muito trabalho para aliviar o trânsito, devido à grande quantidade de veículos que trafegam na via.
   
A reforma é classificada pelo poder público como um dos requisitos para o sucesso da Copa em Belo Horizonte, onde poderá ser disputada a abertura do evento. Isso porque o Anel Rodoviário corta dois importantes corredores de acesso ao Mineirão: as avenidas Antônio Carlos e Carlos Luz. Nessas vias, a prefeitura vai construir ramais para o transporte BRT (sigla em inglês de Bus Rapid Transit), que tem vantagens semelhantes às do metrô: os veículos circulam em vias exclusivas, o embarque e o desembarque são feitos em miniestações e a tarifa é cobrada antes de o passageiro entrar no ônibus. O município também vai implantar um BRT na Cristiano Machado, outra via cortada pelo Anel.
   
Os três ramais BRT, orçados em R$ 783 milhões e cujo recurso virá do Ministério das Cidades, serão inaugurados até dezembro de 2013. Eles também serão importantes para melhorar o tráfego no Anel, pois podem atrair usuários do corredor mais movimentado da capital para o transporte coletivo. Por isso, ontem, o vice-prefeito de BH, Roberto Carvalho, foi a Brasília se encontrar com a subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Míriam Belchior. Eles discutiram alguns pontos dos projetos dos BRTs e da remoção das famílias que ocuparam irregularmente as margens do Anel.

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