segunda-feira, 5 de julho de 2010

Índios recebem compensação por Rodoanel


Os R$ 6 milhões pagos para as tribos, porém, foram para a Funai, para a aquisição de terras

05 de julho de 2010 | 0h 00

JORNAL DA TARDE

Eles vivem do artesanato, da ajuda de organizações não-governamentais (ONGs), de empregos no setor público e, também, da caça, da pesca e de pequenos viveiros. Mas têm R$ 6 milhões guardados no banco. Os índios das três aldeias guaranis da cidade de São Paulo receberam essa bolada como compensação pela construção do Trecho Sul do Rodoanel. Mas a quantia não vai para as mãos deles. Será usada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) para adquirir novas reservas e transferir parte das tribos.
"Aqui as terras são poucas para a gente viver bem", diz o cacique Ataíde Gonçalves Vilharve, de 24 anos, da aldeia Barragem, na zona sul. Embora a aldeia viva em situação de pobreza, ele diz que a tribo aguarda a chegada das terras ? não do dinheiro.
Há cerca de mil índios vivendo nas aldeias Barragem e Krukutu, na região de Parelheiros, a pelo menos 8 quilômetros do Rodoanel (nas margens da Represa Billings). A outra aldeia, a Jaraguá, na zona norte, fica entre as Rodovias Bandeirantes e Anhanguera e também foi beneficiada.
Para os índios, o Rodoanel agravou os transtornos originados pelo adensamento de Parelheiros ? que teve a população aumentada em 84% entre 1991 e 2000. Reduziu o espaço para a caça e o número de animais e tirou a tranquilidade.
Compensação. A presença das aldeias da zona sul foi, em parte, uma das complicações no processo de licenciamento ambiental que antecedeu o Rodoanel, que levou cinco anos para sair.
O acordo da empresa estadual Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) com a Funai previu transferência de R$ 2 milhões para cada uma das três tribos. "O depósito servirá para adquirir novas áreas para os indígenas e, com isso, ampliar as áreas hoje ocupadas por eles", diz a Dersa, em nota. Juntas, as aldeias têm cerca de 50 hectares. A expectativa é que a nova área tenha 100 hectares para cada uma.
A Funai não diz se já foi definida uma data para que o processo de seleção das terras termine. Também não fala quantas famílias devem deixar as aldeias da capital. Só quando isso acontecer o dinheiro poderá ser sacado pela fundação. 

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