quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

As concessões vão decolar

03/02/2013 - Istoé Dinheiro

Leilões de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias e petróleo devem movimentar pelo menos R$ 234 bilhões, até 2019.

Cristiano Zaia

Que um dos maiores gargalos da economia brasileira está na infraestrutura, o País já sabe. Que o governo não tem capacidade de, sozinho, fazer tudo o que é preciso, também. A solução, então, foi buscar a ajuda da iniciativa privada. No ano passado, o governo passou meses discutindo como viabilizar os projetos de concessão e parcerias público-privadas (PPPs) de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, trem-bala, e novos poços de exploração de petróleo e gás, que começam a sair do papel. Juntos, devem somar pelo menos R$ 234,7 bilhões até 2019. De olho nos projetos que já estão em fase de audiência pública, como é o caso de sete trechos de rodovias federais, construtoras, operadores logísticos e fundos de investimentos nacionais e estrangeiros têm procurado os órgãos do governo para se informar.


Wagner Bittencourt, ministro da Aviação Civil: "Com cinco grandes aeroportos concedidos,
devemos melhorar o serviço de metade dos passageiros de todo o País"

Um deles é a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), responsável pelos projetos do trem-bala, ferrovias e rodovias. Somente em janeiro, o presidente da EPL, Bernardo Figueiredo, foi procurado por representantes dos fabricantes de trens japoneses Mitsui e Mitsubishi, e das espanholas Asvi e Ferrovial, também do setor de transportes, além do Fundo Soberano de Cingapura e da construtora brasileira Camargo Corrêa. "Eles tinham dúvidas sobre a taxa de retorno do investimento, mas todos dizem que vão participar", afirma Figueiredo. Uma das maiores construtoras do País, a Odebrecht já manifestou interesse em entrar em todos os setores. "Toda a área de infraestrutura nos interessa", diz o presidente do grupo, Marcelo Odebrecht.

"Saneamento, logística, portos e aeroportos." Responsável pela concessão da Arena Castelão, em Fortaleza, e construtor de trechos das ferrovias Norte-Sul e Leste-Oeste, o Grupo Galvão também quer participar das novas concessões. "Temos interesse em disputar ferrovias e vamos estar nos dois próximos leilões de aeroportos", afirma Dario Galvão, presidente da Galvão e Engenharia. A Arteris, que assumiu o controle acionário da espanhola OHL e já administra várias concessões rodoviárias, como a Fernão Dias, que liga São Paulo a Minas Gerais, e a Regis Bittencourt, entre São Paulo e Paraná, diz "estar atenta a novas oportunidades". O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se prepara para financiar os novos empreendimentos.

Interesse privado: Dario Galvão, do Grupo Galvão,
quer disputar ferrovias e aeroportos

As concessões já representam 90% dos desembolsos do banco nas áreas de transporte, logística e energia. O montante de recursos deve chegar a R$ 28,5 bilhões neste ano – em comparação com R$ 24,5 bilhões em 2012. "Em 2015, esperamos chegar a R$ 40 bilhões", diz Nelson Siffert, superintendente de infraestrutura do BNDES. Para as empreiteiras, o modelo de concessões tem uma vantagem adicional: a diminuição da burocracia na contratação e pagamento da obra, já que o contratante não é o governo, mas uma empresa privada. "Algumas empreiteiras já estão preferindo as concessões às obras públicas", diz José Carlos Martins, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Em setembro, o governo quer escolher os novos operadores dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, em Belo Horizonte.

"É um setor muito lucrativo no mundo todo, que atrai o interesse dos investidores", diz o economista Cláudio Frischtak, da Inter B Consultoria, especializada em infraestrutura. Para o governo, as concessões devem melhorar a qualidade do transporte aeroviário. "Com cinco grandes aeroportos concedidos, devemos melhorar os serviços de metade dos passageiros de todo o País", afirma o ministro Wagner Bittencourt, da Secretaria de Aviação Civil (SAC). Outro setor que espera um impacto semelhante é o de portos, que deve receber bilhões de investimentos a partir de novas regras do setor, que permitirão a construção de portos privados. Com tantas oportunidades, o governo fica mais perto de alcançar a meta de um investimento em torno de 20% do PIB.

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