quarta-feira, 30 de julho de 2014

Obras para construção de megatúnel de 4.640 metros na Rio-Petrópolis avançam a todo vapor

Prevista para ficar pronta em junho de 2016, nova subida da serra ampliará escoamento da BR-040

POR CELIA COSTA

30/07/2014 - O Globo


Na localidade de Duarte da Silveira foram escavados 260 metros, de um total de 4.640 metros, que transformarão o novo túnel no maior túnel rodoviário contínuo do Brasil - Adriana Lorete / Agência O Globo

RIO — A luz no fim do megatúnel da Rio-Petrópolis só deve surgir no final de 2015, quando terminarem as explosões na rocha, mas as obras que fazem parte da construção da nova subida da Serra de Petrópolis já estão a todo vapor. Na localidade de Duarte da Silveira foram escavados 260 metros, de um total de 4.640 metros. Isso representa o dobro da galeria do Túnel Rebouças no trecho entre o Cosme Velho e a Lagoa, com 2.040 metros, o que o tornará o maior túnel rodoviário contínuo do Brasil. O segundo mais extenso tem 3.146 metros e fica na Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, inaugurada em 2002. Parte da BR-040, a nova subida encurtará em cinco quilômetros a ida até a cidade serrana. Sua conclusão está prevista para junho de 2016.

As obras estão orçadas em cerca R$ 1 bilhão, sendo que R$ 290 milhões serão pagos pela Concer, empresa que administra o trecho da BR-040 entre Rio de Janeiro e Juiz de Fora, e o restante, pelo governo federal. Só o megatúnel custará R$ 400 milhões.


Trabalhadores conversam na parte já escavada da rocha - Adriana Lorete / Agência O Globo
O projeto inclui a duplicação de 15 quilômetros da atual pista de descida desde Xerém até a entrada do túnel, onde será construída uma bifurcação. A atual subida, aberta em 1928, será transformada numa estrada-parque, voltada para turismo ecológico, educação ambiental e lazer. A construção da nova pista de subida é uma obrigação contratual estabelecida pelo Programa de Exploração da Rodovia (PER). O prazo de concessão da rodovia é de 25 anos e expira em 2021.

PROJETO PRESERVA MATA

A nova estrada provocou uma intervenção profunda na área de Mata Atlântica, mas a obra obteve todas as licenças ambientais necessárias, inclusive do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Segundo o presidente da Concer, Pedro Jonsson, a construção do megatúnel surgiu como a opção de menor impacto ambiental entre os estudos realizados, porque ao se fazer a escavação na rocha a vegetação da cobertura é preservada.

Jonsson afirma que toda a tecnologia usada para a construção do túnel é a mesma empregada atualmente em países europeus. Técnicos da Concer viajaram para alguns países, como a Itália, com o objetivo de pesquisar e trazer para esta obra os mais modernos equipamentos. Segundo o engenheiro Leonardo Kumata, um dos responsáveis pelos trabalhos, apesar de seu comprimento, o túnel não causará uma sensação claustrofóbica.

— O túnel terá exaustores em toda a extensão, controlados por computador. O concreto usado no revestimento é especial, com fibras antichamas. E serão construídas galerias subterrâneas, que poderão escoar as pessoas em caso de acidentes — disse o engenheiro.

O monitoramento do túnel será feito por câmeras e a sala de controle ficará localizada ou nas proximidades do megatúnel ou na sede da Concer, na Rodovia Washington Luís.

As explosões na rocha são diárias. Uma capelinha encravada na entrada do túnel com a imagem de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros e de todos que trabalham com fogo e explosões, protege os trabalhadores, conhecidos como tuneleiros. Outras duas estátuas da santa serão instaladas na via durante a obras.

CAPACIDADE ESGOTADA

Construída em 1928, a atual subida da serra está com sua capacidade de tráfego esgotada desde 2010, segundo estudo feito pelo poder concedente.

O trecho de 180,4 quilômetros administrado pela Concer liga os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, e o volume de tráfego cresce a cada ano: em 2012, atingiu a marca de 31,2 milhões de veículos. O trecho de subida da rodovia recebe em média 20 mil veículos diariamente, segundo a Concer. Muitos deles são caminhões e carretas que dificultam o fluxo de tráfego por causa do traçado sinuoso e da falta de acostamento da via.

Frequentemente, a Concer vem realizando operações especiais de reversão de pista na descida, para que carretas de grandes dimensões possam trafegar durante as madrugadas, período de menor movimento. A rodovia é uma importante rota de escoamento da produção, segundo aponta a Confederação Nacional de Transporte. E a previsão é que o volume de tráfego continue crescendo em função de grandes eventos, como as Olimpíadas de 2016.

A atual pista de subida também ficará sob a administração da concessionária, com foco no atendimento à comunidade que vive às suas margens. Está prevista a implantação de mão dupla, mas ainda está em estudo se será construído algum bloqueio para impedir o uso da rodovia por quem seguir para Petrópolis. Segundo a Concer, se a passagem for permitida, haverá cobrança de pedágio no alto da serra

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