terça-feira, 16 de maio de 2017

Vocação para transportar riquezas naturais marca história do EstadoDa Redação

15/05/2017 - Folha Max, Cuiabá

Um dos Estados líderes na geração de riquezas e que vê na ampliação dos modais de transporte um desafio para continuar a crescer e desenvolver de suas estradas, hidrovias e ferrovias. Esta é uma definição que traduz com propriedade a história de Mato Grosso. Nascido em 9 de maio de 1748, completa este ano 269 anos de existência.

Na década de 70, Mato Grosso realizava a construção da BR-163, e uma das beneficiadas, aposentada Cecília Montes Nogueira, 89 anos, conta como viu sua vida transformada pelo progresso trazido pela obra. “Ainda me lembro quando eu e meu marido nos mudamos de Acorizal (63 km de Cuiabá) para uma chácara localizada no pé da Serra de São Vicente (70 km). A viagem durou mais de uma semana, a estrada de terra ficava intransitável quando chovia, e o caminhão do meu marido quebrava muito, porque o caminho era penoso”, recorda a aposentada.

A população testemunha atualmente a execução de um dos maiores programas nesta área: o Pró-Estradas, pacote de obras de pavimentação, reconstrução e manutenção de rodovias estaduais criada pelo governo Pedro Taques.

Muitas famílias mato-grossenses estão presenciando transformações com a passagem do Pró-Estradas pelas cidades onde residem. Em dois anos o Governo repassou mais de R$ 500 milhões em recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) para os 141 municípios de MT; concluiu 1.430 km de asfalto entre obras de pavimentação (712 km) e reconstrução (718 km) e fez a manutenção de mais de 2,5 mil quilômetros de rodovias não pavimentadas, além de destinar 542 mil litros de óleo diesel para os municípios da região do Xingu.

O resultado destes investimentos é justamente a melhoria da qualidade de vida da população, como ocorreu com aposentada Cecília lá na década de 70. “Essa estrada é muito perigosa, direto tem gente sendo atropelada, um perigo para as crianças que precisam atravessá-la pra ir pra escola, com a duplicação vai melhorar nossa segurança”, avalia o projetista Acenildo Carlos da Cruz, 56 anos, morador do Jardim Florianópolis há 19 anos, ao falar sobre a MT-251. “Vejo nessaa duplicação a solução de problemas enfrentados por nós, moradores dos bairros que ficam à margem da estrada”.
Dados como os citados acima são reiterados por estudos de órgãos como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional de Transportes Aquáticos (ATAQ), Agência Nacional de Transportes Ferroviários (ANTF) e Departamento Nacional de Infraestruturas (DNIT), nos quais fica comprovado que regiões beneficiadas por obras de infraestrutura apresentam melhores índices de desenvolvimento humano (IDH).

Tais estudos atestam ainda a vocação de estados como Mato Grosso para o transporte das riquezas produzidas em seu território, baseada na sua formação geográfica (extensas planícies e amplos planaltos, onde 74% do seu território se encontra abaixo dos 600 metros de altitude), que favorece o investimento nos transportes rodoviário, hidroviário e ferroviário; e isso reflete, por consequência, na capacidade que o estado tem de escoar sua produção de commodities, produtos que funcionam como matéria-prima, a exemplo da soja e boi gordo, para os mercados interno e externo.

No papel de escoadora, surge uma rodovia tida como das mais importantes: a BR-163. A via terá 453 quilômetros duplicados ao custo de R$ 6,8 bilhões, num período de 30 anos, com o objetivo de escoar a maior produção de grãos do país, que, de acordo com estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), será de R$ 58 milhões na safra 2016/17. Além disso, o Estado tem o maior rebanho bovino de corte do país, com 29 milhões de cabeças, segundo o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea).

Ao lado das BR-364, 070 e 158 e de diversas MT’s, a 163 supre parte das necessidades da circulação destas mercadorias. Contudo, toda essa produção não pode ser transportada exclusivamente via rodovias. Por isso, o Governo tem investido também na construção de ferrovias.

“Os investimentos nos diferentes modais convergem de acordos entre o Estado e a União, e são medidas que fazem parte de uma perspectiva desenvolvimentista de construção de um Estado forte e competitivo”, explica o governador Pedro Taques, que completa: “Estes investimentos acabam por facilitar o planejamento da movimentação da mercadoria produzida no Estado pela cadeia de distribuição física internacional”

Mato Grosso conta hoje com o maior terminal intermodal da América Latina, situado em Rondonópolis, um dos quatro terminais da Ferrovia Senador Vicente Vuolo (antiga Ferronorte), que interliga o Estado ao Porto de Santos, em São Paulo. Dentre as principais vantagens do modal ferroviário estão o baixo custo, porque tem baixa incidência de taxas e utiliza combustíveis mais baratos; grande capacidade de carga, menor risco de acidentes e maior segurança no transporte da carga. “Ele é ideal para transportar commodities em alta quantidade, como minério de ferro e mercadorias agrícolas”, diz o vice-governador Carlos Fávaro.

A atual gestão tem defendido a chegada da Ferrovia até Cuiabá. As 16 entidades que compõem o Fórum Pró-Ferrovia em Cuiabá apresentaram ao governador Pedro Taques estudos produzidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que comprovam a viabilidade do modal logístico passar em Cuiabá e, posteriormente, conectar o ramal ao Norte do Estado (Sinop). Dessa forma, será possível aumentar o escoamento da produção agrícola, que deve crescer nos próximos anos, passando das atuais 50 milhões de toneladas de grãos para 90 milhões.

“Com a retomada das negociações por este Governo, temos mais claras as possibilidades de transformar este sonho em realidade. O ramal até Cuiabá e, posteriormente até Sorriso, já está sendo pensado e planejado pela concessionária. O Estado de Mato Grosso tem informações de que a empresa pretende fazer investimentos na ordem de R$ 5 bilhões, nos próximos anos. No entanto, depende desta prorrogação da Malha Paulista. Nós vamos propor nesta negociação que os trilhos avancem até a Capital”, explicou o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo Duarte.

Além desse projeto, Mato Grosso conta com a construção da Ferrovia Bioceânica, projeto estratégico para criar uma saída alternativa para o Pacífico e acesso aos mercados asiáticos e facilitar o acesso das áreas produtoras de commodities agrícolas do Centro-Oeste à malha ferroviária existente e aos portos do litoral brasileiro.

A Ferrovia Lucas do Rio Verde/MT – Itaituba/PA (Distrito de Miritituba) também visa melhorar o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste, conectando-se do Pará ao Porto de Miritituba, na hidrovia do Tapajós, o que beneficiará também o transporte hidroviário do Estado. O Rio Paraguai apresenta-se como alternativa, em uma rota multimodal, para o escoamento das safras agrícolas do Mato Grosso, com destino aos centros exportadores, ou para abastecimento do próprio Estado.

Esse rio desempenha importante papel na integração do Brasil com a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. As condições de navegabilidade são boas, favorecendo essa integração, o que deverá se acentuar à medida que se desenvolvam as regiões da área de influência do rio, bem como a hidrovia Paraguai-Paraná, modal alternativo às exportações estaduais. O rio Araguaia apresenta, a longo prazo, elevada potencialidade de transporte de carga, notadamente grãos agrícolas, em função da sua área de influência.

O porto fluvial de MT, situado em Cáceres, será reestruturado para incorporá-lo à uma política de Integração Latino-Americana, buscando a implantação do sistema de transporte intermodal, e a ligação por rodovia com a Bolívia, terminando no Oceano Pacífico, no Chile.

VLT

Um dos principais desafios assumidos nesta gestão na área dos transportes é a retomada das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Reuniões tem sido realizadas desde o início de abril, quando ficou decidido que a Administração Estadual vai investir mais R$ 922 milhões para a conclusão integral da implantação do modal, sendo R$ 327 milhões de passivos remanescentes e mais R$ R$ 594 milhões de outros custos para a finalização.

A previsão é de que as obras sejam retomadas em maio deste ano com prazo de conclusão total de 24 meses. O cronograma das obras prevê a entrega da primeira etapa, em março de 2018. Já a linha 2 será entregue até maio de 2019.

Com a renegociação feita pelo Governo de Mato Grosso com o Consórcio VLT, o modal de Mato Grosso terá o menor preço por quilômetro do Brasil. O VLT de Cuiabá – Várzea Grande custará, ao final, R$ 44,8 milhões por quilômetro, enquanto o da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, custou R$ 56 milhões.

Aeroporto Internacional

O Aeroporto Internacional Marechal Rondon é hoje uma das principais portas de entrada de Mato Grosso e as obras de reforma do terminal garantirão, além de mais conforto aos usuários, a ampliação da capacidade de fluxo de passageiros para até cinco milhões de pessoas por ano. Em 2016, a movimentação de pessoas no complexo chegou a 2,8 milhões, segundo dados da Infraero. A projeção para 2017 é que a base cresça para até 3,3 milhões de passageiros no ano.

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