segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Fim da duplicação da BR-386 deve ser em 2018

03/12/2017 - O Informativo do Vale

Mais uma vez adiada, nova previsão é para o primeiro trimestre do próximo ano

Lucas George Wendt 


Para dar conta das obras, com tempo mais estável, esse deve o ritmo de trabalho nos próximos meses - Lidiane Mallmann

Vale do Taquari - Essencial para região, a duplicação da BR-386 entre Tabaí e Estrela ganha mais um capítulo: não vai ser em 2017 que vai ser finalizada. A nova previsão contraria o último prazo informado para o final dos trabalhos na rodovia, que deveriam ser concluídos ainda neste ano. 

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) prorrogou a conclusão para o primeiro semestre de 2018, em comunicado divulgado recentemente. O novo cronograma de trabalho prevê que o revestimento asfáltico do trecho faltante em Estrela seja concluído até janeiro, e as obras no canteiro em Bom Retiro do Sul, que incluem a terraplanagem (para posterior asfaltamento), estão previstas para março. 

O engenheiro do Dnit, responsável pela obra da BR-386, Adalberto Jurach, diz que parte do atraso nas obras se deve aos dias de trabalho que foram perdidos em razão chuvas na região. As precipitações impediram que o ritmo das obras fosse contínuo. "Também contribui para o atraso a alteração da rede elétrica após a paralisação das obras, ocorrida em 2016", diz.

O ex-presidente da Comissão Pró-Duplicação da BR-386, José Luiz Cenci, comenta que a obra depende do consórcio envolvido no desempenho da duplicação. A Comissão, durante o tempo em que esteve atuante, foi gestada a partir do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat). 

O ex-presidente, ao falar da relação entre Dnit e consórcio executor, ressalta que é necessário prudência. "Pedimos a colaboração das empresas do consórcio e do Dnit nesta reta final". "Agora, nós precisamos ter paciência. Tivemos até agora". Conforme Cenci, o Dnit tem feito pressão sobre consórcio executor da obra para que os prazos sejam respeitados. Além do desenvolvimento regional que é possível graças à melhora nas condições de rodagem pela rodovia, Cenci destaca a diminuição dos acidentes. "Só isso já vale o investimento. Muitas vidas foram poupadas", finaliza. 

A presidente do Codevat, Cíntia Agostini, não duvida do potencial da BR-386 para a região: "Para nós é muito relevante", diz.  No entanto, destaca: "A obra está andando a passos muito lentos". Ela se refere, também, ao estágio final dos trabalhos. "Tínhamos a esperança de que seria até o fim 2017", revela. Na opinião de Cíntia, o atraso é absurdamente grande. "Não há mais condições de protelar", diz a presidente, destacando que o trânsito neste trecho final frequentemente apresenta complicações em razão do alto tráfego. "Metade do estado passa por ali - é por isso que ela tem o nome de Estrada da Produção", emenda.

Relembre o caso 

A obra foi iniciada em novembro 2010, marcada por diversos entraves durante sua execução - uma aldeia indígena situada às margens de parte do trajeto a ser duplicado, desapropriações e questões ambientais foram situações que atrasaram a conclusão, além da suspensão dos repasses por parte do Dnit em certo estágio dos trabalhos. Esse último problema manteve a duplicação parada por mais de um ano, até que o projeto fosse retomado no início de 2017. Além disso, em 2012, a obra também foi envolvida em polêmica sobre supostas irregularidades em valores de orçamento. 

Um dos pontos mais delicados durante a execução da duplicação foi a paralisação dos trabalhos, por quase um ano, em razão da construção de 29 casas, uma escola, um centro comunitário e um espaço para venda de artesanato às famílias caingangue que moravam à margem rodovia. Em 2015, o Ministério Público Federal determinou a retomada da obra e a ocupação da aldeia reconstruída pelos indígenas. 

A mais recente justificativa fornecida pelo Dnit, que culmina no novo prazo de conclusão, credita ao mau tempo o atraso no andamento da duplicação. 

São 33,4 quilômetros de duplicação que se arrastam, até o momento, por quase oito anos. O Dnit diz que 95,3% da duplicação estão prontos - o que corresponde a 23 quilômetros liberados para tráfego normalmente. Faltam, ainda, cerca de dez quilômetros de duplicação serem concluídos, entre o trevo de Bom Retiro do Sul e a cidade de Estrela, naquilo que é a parcela final da obra e que inclui a aldeia realocada. 

O consórcio formado pelas empresas Conpasul, Cotrel, Iccila e Momento é o responsável pela execução das obras. Conforme informações do Dnit, a conclusão dos trabalhos depende exclusivamente do grupo de empresas.

A concessão 

Além da duplicação, a BR-386, junto com BR-101, BR-290 e BR-448 (Rodovia do Parque), está incluída em um pacote de concessão de estradas federais. Atualmente o processo tramita no Tribunal de Contas da União (TCU). O documento também estabelece a duplicação da 386 no trecho entre Lajeado e Carazinho depois da concessão. A presidente do Codevat, Cíntia Agostini, ainda diz que é importante que a obra seja concluída, pois a duplicação, na integralidade, faz parte do projeto apresentado na concessão.

Custo da obra também aumentou

Era esperado, pelo orçamento original, de 2009, que a União investisse R$ 147 milhões na duplicação. Hoje o custo total da obra é estimado em R$ 208 milhões. São R$ 61 milhões a mais - ou um aumento de 41% no orçamento. Até 2017 foram investidos cerca de R$ 190 milhões (R$ 43 milhões além do orçamento inicial).

Obra paralela

Os trabalhos na recuperação do antiga pista da BR-386 nas proximidades do acesso à Paverama, entre os quilômetros 373 e 375, são outros que não seguem os prazos. As obras originalmente deveriam ter sido terminadas em julho. Em agosto, no entanto, o prazo foi prorrogado para o início de setembro. Na ocasião, a instabilidade do solo no local motivou o encaminhamento de um novo projeto para o desempenho das obras no trecho. O engenheiro responsável, Adalberto Jurach, diz que é esperado que os trabalhos paralelos no local sejam finalizados também no primeiro trimestre do próximo ano. 

"A perda de dias de trabalho por motivo de chuva, que impediu que as obras tivessem continuidade", explica. Quando questionado, ele também comenta que foram encontradas dificuldades pelo consórcio executor dos serviços durante as escavações no solo para a execução das passagens de fauna sob a rodovia. Os passa-fauna são tubulações colocadas embaixo do asfalto, permitindo que os animais evitem cruzar as vias. O dispositivos são uma exigência do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No projeto de duplicação da BR-386, estão previstas três passagens - duas delas entre os quilômetros 372 e 374, e uma próximo de Tabaí.

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