segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Tráfego pesado no caminho para a Região dos Lagos

11/08/2014 - O Globo

RIO - Era início da noite de uma sexta-feira e a fotógrafa Elisangela Cunha tentava justificar, pelo telefone, seu atraso. Ela seguia de ônibus em direção a Iguaba Grande, na Região dos Lagos, para registrar imagens de uma festa de 15 anos. Saiu da Rodoviária Novo Rio às 16h, quatro horas antes do compromisso, já prevendo engarrafamentos na estrada. Só não contava com o caos no Trevo de Manilha, em Itaboraí. Às 20h, Elisangela ainda estava na altura de São Gonçalo da BR-101. Isso porque, há pouco mais de um mês, veículos de carga, que até então não passavam por ali devido à restrição de tráfego na Ponte Rio-Niterói, começaram a circular a qualquer hora do dia ou da noite no local para acessar a BR-493 (Magé-Manilha), onde o tráfego aumentou aproximadamente 30%, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes ( DNIT).

O resultado é um nó no trânsito do Trevo de Manilha, confluência da BR-493, da BR-101 e da RJ-104 (ligação Niterói-Manilha via Tribobó). Com o fluxo intenso de caminhões, congestionamentos se tornaram constantes a qualquer hora do dia. E, nas sextas-feiras, o que era complicado se tornou caótico.

Contratada para trabalhar numa festa com início previsto para as 20h30m, Elisangela lamentou profundamente o que aconteceu naquela sexta-feira:

— O ônibus estava previsto para chegar em Iguaba às 18h. Ou seja, eu estaria no local da festa duas horas e meia antes de seu início. Como não consegui cumprir o combinado, tive de devolver o pagamento e posso ser processada.

O presidente da Cedae, Wagner Victer, ficou preso no mesmo congestionamento.

— Está impossível ir para a Região dos Lagos. Saí às 17h30m do Rio e, às 21h, ainda estava em Manilha. Nem no carnaval foi assim — disse Victer.

O caos não foi só naquela sexta-feira. Diariamente, principalmente nos horários de rush, motoristas gastam, em média, uma hora e meia para percorrer dois quilômetros na área do Trevo de Manilha.

— Ontem, desci de um ônibus e segui meu caminho a pé, percorrendo um trecho de aproximadamente dois quilômetros. Assim, cheguei mais rapidamente em casa. Na véspera, foram quase duas horas só para cruzar o Trevo de Manilha. Se agora está assim, imagine como será no verão — reclamou Mário Silva da Cruz, que mora na região.

A receita da confusão no Trevo de Manilha não tem segredo: basta pegar motoristas que seguem pela BR-101 em direção à Região dos Lagos e somar carros saídos de Niterói pela RJ-104 e várias "pitadas'' de caminhões entrando na BR-493, uma rodovia estreita, de mão dupla e cheia de quebra-molas. Isso tudo, acrescido dos ônibus que transportam os 28 mil funcionários do Complexo Petroquímico de Itaboraí (Comperj), resulta em quilômetros de congestionamentos, que se estendem até a Ponte Rio-Niterói. Motoristas e passageiros também reclamam das obras de manutenção feitas durante o dia (e não à noite) na BR-101, o que ajuda a agravar os engarrafamentos.

— Era a gota d'água que faltava para transbordar o copo — avalia Delmo Pinho, subsecretário estadual de Transportes. — O trevo está com uma demanda maior que sua capacidade. Eu já havia dado um alerta sobre essa situação há sete anos, num seminário sobre o Arco Metropolitano.

A BR-493, que liga Magé a Itaboraí, não está preparada para receber tantos caminhões. Na estrada de 24 quilômetros, o volume de tráfego aumentou 30%. Pela manhã, o fluxo maior de veículos pesados segue em direção ao Arco Metropolitano, no sentido Magé. À tarde, o congestionamento se forma no sentido contrário.

Autoridades da Região dos Lagos estão preocupadas com as consequências que os congestionamentos no Trevo de Manilha podem causar ao turismo.

— Se não encontrarem uma solução imediata para o Trevo de Manilha, a Região dos Lagos vai quebrar. Vivemos do turismo. São necessárias medidas urgentes — afirmou o secretário de Desenvolvimento de Cabo Frio, Valdemir Mendes.

O secretário estadual de Turismo, Claudio Magnavita, anunciou que se reunirá com representantes da Agentransp (agência estadual de transportes), do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e da prefeitura de Itaboraí para estabelecer uma ação imediata que possa normalizar o fluxo para a Região dos Lagos.

— Esse foi um problema inesperado, causado pelo sucesso repentino do Arco Metropolitano. Quando as obras necessárias foram concluídas, o arco será muito positivo para o turismo, pois vai facilitar a ligação rodoviária do Norte ao Sul do estado sem passar pelo Grande Rio — disse Magnavita.

BR-493 terá duplicação, mas prazo para conclusão é de três anos

Polícia Rodoviária Federal informa que faz ações para melhorar fluidez e evitar assaltos

RIO - A solução para os problemas do Trevo de Manilha pode não chegar tão cedo. Segundo o DNIT, responsável pela conservação na BR-493, existe um contrato para obras de duplicação e restauração da rodovia, mas o prazo para conclusão dos serviços é de 36 meses. Operários só deverão começar a trabalhar em setembro. De acordo com o órgão, já foi instalado um canteiro de obras para melhorias no entroncamento da BR-493 com a BR-101.

Segundo a concessionária Autopista Fluminense, que administra a BR-101, o volume de tráfego na rodovia chega a 40 mil veículos por dia e tende a crescer após a conclusão total do Arco Metropolitano e das obras de implantação do Comperj. A empresa, que também espera um crescimento demográfico na região de Itaboraí, afirmou que mantém equipes atuando no Trevo de Manilha em dias de maior movimento.

A Polícia Rodoviária Federal informou que tem colocado em prática ações para tentar melhorar a fluidez do trânsito no Trevo de Manilha. Um outro objetivo dessa iniciativa é evitar assaltos a motoristas que ficam horas parados. Além disso, inspetores tentam impedir infrações de trânsito, especialmente o tráfego pelo acostamento. Entre os meses de janeiro e agosto deste ano, foram emitidas 4.778 multas entre os quilômetros 290 e 300 (acesso ao Trevo de Manilha) da BR-101 e no trecho inicial da BR-493.

O Ministério Público Federal informou que, apesar dos protestos de motoristas, sua ação, por enquanto, está concentrada no acompanhamento do contrato de concessão da BR-101, que não envolve a BR-493. Sobre a falta de um plano de contingência que pudesse alertar usuários sobre os congestionamentos no Trevo de Manilha, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) argumentou que "para os usuários da BR-101 serem informados sobre o ocorrido na BR-493 é necessário um monitoramento da referida rodovia pelo órgão responsável". A agência informou ainda que está "à disposição para viabilizar, junto à concessionária, a utilização de tais informações de forma a melhorar a fluidez no local" e que já autorizou a elaboração de estudos específicos na BR-101 para melhorar o tráfeg

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